Todos nos orgulhamos da qualidade incontestável do nosso vinho e seu terroir. É um facto.
Toda a nossa variedade de castas autóctones, o nosso clima, solos ricos e diversos que formam o nosso terroir, nada seriam sem o Homem! Um dos factores essenciais e mais diferenciadores.
Temos o clima, por enquanto, com chuvas e sol e também solos calcários ou graníticos, encostas e latitudes variadas que proporcionam uma oferta larga e diversificada de qualidade. No entanto toda a base está no Homem e no seu poder de intervir e conduzir a vinificação.
A Natureza é a melhor arquiteta sem dúvida, no entanto, se o Homem não tiver em conta essa mesma natureza, nas vinhas e no seu cultivo e produção, o vinho irá sempre saber a forçado, não tão agradável de "engolir" aquando do momento de degustação.
O Homem e a ciência fazem progressos, mas para isso terá de existir equilíbrio e harmonização.
Acredito que existem inúmeros momentos, e para todos eles existirá um vinho indicado e promotor de um boa e agradável experiência. Mas sejamos honestos e saibamos retribuir às próprias castas e natureza para bem dos nossos palatos.
Cada um dos momentos de degustação é uma harmonização diferente e própria.
Podemos e devemos acrescentar algo mais ao vinho, mas de forma sustentável e não invasiva.
Respeitando assim e aceitando as suas características, natureza e carácter.
Aí, o vinho nos irá verdadeiramente acrescentar algo, sendo compensatório e com retorno do seu sabor.
Deverá ser então o próprio vinho a se deixar expressar, sendo que a melhor forma de proporciar essa abertura é de forma natural. Podemos decanta-lo ou ajusta-lo, mas a verdade de sabores terá de vir da sua essência. Caso contrário sairá forçado e isso sentir-se-á.
Deixemos que o vinho nos acrescente, permitindo-o expressar-se com toda a sua natureza.
E cabe-nos a nós, apenas, nos deixarmos levar e elevar com toda a sua natureza e unicidade.
Há vinhos certamente mais terranos e introspectivos, e outros mais arejados e altivos, todos eles com a sua própria chave para o Paraíso.
Simplemente, teremos de "rodar essa chave" e deixá-los entrar pela nossa porta sensorial.
Degustando, livres de preconceitos e sem anátema.
In vino verictas, deixemo-nos decantar ao simples degustar e daí encontrar a verdade.
Sem comentários:
Enviar um comentário